CineReforma - Em Defesa de Cristo

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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

"O Rodrigo é Muito Radical"



por Rodrigo Toledo



Ultimamente, esse é o comentário que mais tenho ouvido falar a meu respeito. “O Rodrigo é muito radical”. E isso se dá às duras críticas que, tanto em meu blog como em minhas pregações, venho fazendo quanto às práticas bizarras e doutrinas estranhas que têm contaminado a igreja brasileira. 

É sempre assim: o crítico é rotulado e hiper-crítico, bitolado, caxias, radical, desunido, espírito-contrário, etc... 

Sinceramente, não me importo em ser apelidado de bitolado e de caxias, e blá blá blá. O que realmente me incomoda é o rótulo de radical, e eu explico o porquê. 

Há pelo menos três anos venho trabalhando mente e coração para a neo-reforma subversiva que se dará em breve, influenciando centenas de milhares de jovens (os pastores de amanhã) a se voltarem para o evangelho puro e simples, diante do qual toda visão contrária, todo folclore-gospel e toda a forma de estatuto herético tem que cair por terra. E não são poucos os que reconhecem a urgente necessidade de uma reforma doutrinária e teológica em nossas denominações.  

A maioria dos ditos “evangélicos” povoa as mais diversas denominações em busca de algo como reconhecimento, auto-ajuda gospel, realizações profissionais e financeiras, entre outras coisas. Não querem servir a Deus; querem ser servidas por Ele. Dentre eles, estão os que pretendem chegar a uma posição de liderança e, portanto, não querem se indispor com o pastor para não perder o cargo ou a oportunidade no culto. 

Geralmente, são esses covardes que mais apoiam o erro e o desvio dentro das denominações, pois quando chegarem à liderança irão querer ser obedecidos também! São esses aduladores que me rotulam de radical. 

Tenho uma má notícia para esses – estão cometendo um grave erro. Não sou digno de ser chamado radical. É um superlativo que deve ser aplicado a pessoas diferentes de mim. 

Radical foi o apóstolo Paulo, doutrinador da igreja, que enfrentou de forma digna e fervorosa os líderes legalistas de sua época, levando a Palavra de Deus para lugares diferentes, como Grécia e Roma. 

Radical foi Pedro que, mesmo sabendo que poderia ser morto, pregou ferozmente o evangelho de Cristo, inclusive dizendo duras verdades para seus compatriotas (At 5.30). 

Radical foi Tomé que, mesmo injustamente sendo conhecido como “o apóstolo incrédulo” (todos os apóstolos inicialmente foram incrédulos em relação à ressurreição de Jesus), abrindo mão de sonhos, planos e uma vida melhor, foi anunciando o evangelho puro e simples até chegar aos confins da Índia, onde foi linchado até a morte por causa da mensagem pregada. 

Radical foi Policarpo, ordenado bispo de Esmirna pelo próprio apóstolo João, preferiu ser queimado vivo a negar sua fé em Cristo Jesus como Senhor e Deus. Sua queima foi lenta e dolorosa, a vida insistia em permanecer no corpo do velho pregador. Seus algozes o executaram com flechas, pois o fogo estava demorando muito a matá-lo. 

Radical foi Atanásio que, mesmo sendo cruelmente exilado várias vezes por defender a doutrina da Trindade, manteve-se firme na concepção bíblica de um Deus e três Pessoas. 

Radical foi William Tyndale que, contrariando o próprio Rei da Inglaterra, traduziu o texto bíblico para o inglês. Seu objetivo era que “todo o menino de arado pudesse lê-lo”. Por causa de sua ousadia, não escapou da fogueira. 

Radical foi Jerônimo de Savonarolla que, do púlpito denunciava os abusos e pecados do Papa. 

Radical foi Lutero, pregando suas 95 teses na porta do castelo de Wittenberg, além de traduzir a bíblia para o idioma alemão, o que foi considerado uma verdadeira afronta às autoridades constituídas de sua época. 

Radical foi Calvino, pregando doutrinas exclusivamente protestantes dentro de capelas católicas, como em Genebra, por exemplo. 

Radicais foram Ulric Zwinglio, Farrel, John Knox, e tantos outros. Este último, tomado do sentimento de urgência em reformar o cristianismo em seu país, orou da seguinte forma: “Senhor, dai-me a Escócia, ou tira a minha vida.” 

Radical foi o incomparável João Huss, que também foi para a fogueira por pregar a verdade e contestar doutrinas estranhas defendidas pelas autoridades eclesiásticas. 

Poderia continuar com uma lista interminável de homens e mulheres que verdadeiramente merecem ser rotulados de radicais. Definitivamente, não estou nessa lista. Não sou tão corajoso como Paulo e Corrie Ten Boom. Não tenho a audácia de João Huss e John Wesley. Meu compromisso com missões é diminuto quando comparado ao dos Morávios. Não prego com tanta intrepidez quanto Jonathan Edwards, e apesar de já ter alcançado 33 anos, não tive as  experiências impactantes com evangelismo como Dwight Moody. 

Por favor, não mais me chamem de radical. Colocar tal estigma em mim é cometer injustiça com Jim Eliott, Charles Spurgeon, Paul Washer, John Piper, Theodore de Beze, David Brainerd, George Whitefield, Leonard Ravenhill, David Wilkerson, e tantos outros que foram chamados para viver o radicalismo no Senhor. 

Não posso terminar esse desabafo sem falar Nele, o Radical por Excelência, que dividiu a história ao meio. Seu radicalismo alcançou e transformou vidas ao longo desses dois milênios. Abandonou uma condição gloriosa e se enclausurou em um útero humano, para dar o que não merecemos. Debateu com as mais brilhantes mentes do judaísmo do primeiro século, sempre vencendo. Sua dignidade e seu compromisso com os menos favorecidos radicalizou o conceito de misericórdia. Os vendilhões do templo, ao sabor e som de um azorrague, experimentaram Seu afiado radicalismo. Precisa dizer quem é? 



À Ele, o Radical dos radicais, seja a honra, e a glória, e o louvor para todo o sempre. Amém! 



Aos vendilhões, o azorrague!



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