CineReforma - Em Defesa de Cristo

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Morre Oscar Niemeyer





Morreu o arquiteto Oscar Niemeyer, aos 104 anos. Pensava e escrevia coisas detestáveis. Dele se pode dizer o que disse Millôr Fernandes sobre um colega seu de Pasquim: “Metade é gênio, e metade é idiota”.

Não tenho nada a acrescentar ao que escrevi sobre ele, neste blog, quando fez 99 anos – teve tempo de escrever e de dizer muitas tolices depois. Mas nada disso, acho, macula a sua obra. Reproduzo aquele texto. Volto para encerrar.
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Um homem não é sua obra. Céline — Louis-Ferdinand Céline — era um idiota político e um antissemita delirante. E, no entanto, escrevia como um príncipe. Cumpre não usar o seu belo texto para justificar seu cretinismo. Ezra Pound era um fascistoide do miolo mole, mas um poeta admirável (embora não do meu gosto pessoal) e um homem de cultura. Os textos sobre política de Fernando Pessoa não servem nem para catar cocô. E foi, a meu ver, um dos maiores poetas de todos os tempos em qualquer língua. A lista seria gigantesca. Há cretinos políticos de esquerda também. O meu romancista predileto no Brasil, Graciliano Ramos, era comunista, mas São Bernardo, Angústia, Vidas Secas ou mesmo Memórias do Cárcere — relato de quando foi preso pela ditadura de Getúlio justamente porque era comunista — não são.

Os meus amigos sabem o que penso: artistas jamais deveriam se ocupar de política — não em sua arte. Não acredito em obra engajada, a não ser naquela que expressa melancolia, desespero e saudosismo. A boa arte política é sempre reacionária, voltada para o passado. Artistas que se dobram a utopias finalistas se transformam em prosélitos. Desconheço se Churchill escreveu algum verso ou disse algo relevante sobre a condição humana. Mas, em política, foi o maior entre os, chamemo-lo ainda assim, contemporâneos. Cada coisa em seu lugar. É típico do obscurantismo e da burrice — fascista ou leninista — satanizar a obra deixada por um artista por conta do seu alinhamento ideológico. Seria como censurar Churchill porque mau poeta.

Respeito, como quase sempre, opiniões contrárias e até entendo a natureza da crítica. Pessoalmente, no entanto, acho Oscar Niemeyer um gênio, embora deplore as suas escolhas políticas e enxergue em sua trajetória de vida o principal desvio de caráter dos comunistas: o oportunismo nos meios com o totalitarismo no fim. Mas e daí? Vou dizer, por isso, que não vislumbro no seu trabalho a centelha do gênio? Vislumbro. Não sei quanto tempo ainda dura esta nossa aventura. Pelo tempo que durar, o seu trabalho restará como bom exemplo do que pode produzir o gênio humano.

Assim como, sei lá eu, o gótico foi a expressão material do espírito de um tempo, acho que Niemeyer conseguiu dar forma à cultura moderna, com a leveza do seu concreto, o que já é quase um clichê. A Catedral de Brasília, templo de oração projetado por um ateu militante, consegue a síntese perfeita entre o mundo horizontal e igualitário — o espírito do tempo moderno — e o apelo ao divino, a memória cultural que uma igreja, qualquer uma, evoca. Acho descabidas as críticas a seus prédios brasilienses — “desconfortáveis”, “ignoram a natureza”, sei lá o quê… Mas tudo bem: essa crítica é pertinente e aceitável.

O que censuro mais em Juscelino Kubitschek do que nele, aí, sim, é a vocação para achar que a sociedade obedece a regras que cabem num projeto. Brasília foi, em muitos aspectos, um delírio caro, desnecessário e megalômano, que, ademais, afastou a política da vida dos cidadãos comuns. A concepção, em si, é autoritária, menos pelo que possa haver de “comunismo” embutido do que de descolamento de certa elite da realidade do país. Cidades só nasciam por atos administrativos na vontade de imperadores e déspotas. Elas são construções coletivas, como, aliás, a Brasília cheia de defeitos de hoje prova à farta.

Voltei
A estupidez política de Niemeyer, que defendia regimes homicidas, não condena a sua obra. Mas a sua obra também não absolve a sua estupidez política.

Por Reinaldo Azevedo


postado originalmente no site da Veja


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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Os Evangelhos São Fábulas?



por Rodrigo Toledo



Antes de acusar um determinado escrito de fábula, primeiro o acusador tem que ter lido alguma fábula, para efeitos de comparação. Qual fábula você já leu? Qual foi a última fábula que levou seus escritores e divulgadores a serem perseguidos, capturados, torturados e mortos? Qual foi a última vez que conheceu uma fábula que tem mais de 24 mil cópias manuscritas antigas (antes da invenção da imprensa), dos quais 600 são cópias quase inteiras, e o restante são fragmentos de cópias? 

Qual foi a última fábula que você conheceu em que a arqueologia encontrou esse tanto de cópias em 5 idiomas antigos, em 3 continentes diferentes, datados de 120 d.C. (apenas algumas décadas após a crucificação) até o século XVIII?

Se os evangelhos fossem simples fábulas, seus divulgadores o teriam confessado ante a tortura cruenta dos romanos quando os cristãos eram perseguidos. Se fosse tudo mentira, alguém teria denunciado a suposta mentira na época! Acontece que os evangelistas foram massacrados, mutilados, queimados, jogados as feras no Coliseu, e preferiram morrer e sofrer de dor do que negarem Cristo e os evangelhos. 

Fábulas???


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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O Que Aconteceu Com os Apologistas?




por Rodrigo Toledo

Muita gente que conhece a mim e ao meu trabalho como apologista me questiona sobre o porquê de os apologetas modernos não mais concentrarem seus textos e suas palestras nas seitas. Em vez disso, voltaram sua atenção e seus ataques a denominações tidas pela maioria como evangélicas. Seria uma inversão de valores? Será que perdemos o foco? Teríamos nos tornado anti-denominacionais? 

Bem, para responder a essa questão escrevi o texto abaixo que ilustra de maneira parabólica o que realmente aconteceu com os apologetas, digo, com os "Sombras de Genebra". Aprecie sem moderação:




Num Reino não muito distante, chamado Lar, famoso por ter apenas uma única fonte d’agua potável, reinava o Grande Rei Eussou, também conhecido como Rei dos reis. Ostentava a melhor das reputações, por sua misericórdia e justiça impecáveis, e seu caráter impoluto.

Tornou-se mundialmente admirado quando do episódio envolvendo o agiota que veio cobrar uma dívida impagável contraída por todos os habitantes daquele Reino e que, segundo as 613 cláusulas do contrato assinado, os devedores deveriam sanar aquela dívida com a própria vida. E o Grande Rei, juntamente com seu Bondoso Filho, o Príncipe Messias, ricos em misericórdia para com seus servos, decidiram entre si como sanariam a dívida, entregando ao agiota o sangue real do Manso Príncipe, liquidando a dívida e devolvendo àquele povo a vida e a esperança.

Fato é que o Rei designou capitães a fim de que distribuíssem a água de forma digna e igualitária, além de generais e ministros que garantiriam a gestão e pureza da mesma. 

Dentre outras tantas tarefas, designou uma tropa de elite especializada em combate fronteiriço – o batalhão “Sombras de Genebra” -, nome dado em honra a quatro antigos combatentes, cujas estatuas erigem-se na Praça Central, em cujas sombras descansa o Sagrado Saltério do Rei, o qual teve a sua capa forjada com o metal do escudo dourado do Benevolente Príncipe Messias.  

Altamente treinados, os "sombras" deveriam posicionar-se em seus postos, de costas para as terras do Reino, voltando seu foco para as corruptas nações vizinhas, evitando assim a invasão de espiões estrangeiros enganadores, bem como a evasão de larianos desavisados. Sob o sol causticante do estio; ou sob a luz inebriante da lua; até mesmo sob maciça tempestade de neve do castigante inverno lariano; estavam prontos para combater e proteger. Devido à bravura desses soldados, e ao perigo a que eram expostos, foram apelidados de “As Mil Lâminas do Rei”.  

Sempre que um incauto cidadão lariano era seduzido pelos perfumes e cores das terras vizinhas, um sombriano lhe barrava, mostrando-lhe as armadilhas com estacas punji, fazendo-o compreender as diferenças entre os terrenos e climas, convencendo-o a voltar para Lar.

Passaram-se muitas décadas, e em todo esse tempo os “sombras”, tendo a  fronteira como assoalho, olharam atentamente para fora, prontos a empunhar suas espadas pela proteção do povo lariano, comprado com o sangue do Bondoso Príncipe Messias.

Mas, certo dia, algo incomodava o coração de um “sombra”, e este resolveu olhar para trás, para dentro. E o que ele viu foi a constatação da pior de todas as notícias a que se pode dar a um homem. Seus olhos viram a profanação e a desobediência. Um tenebroso calafrio subiu-lhe a espinha, podia sentir o pulsar do coração nas extremidades de seu corpo. Assustado e hesitante, caiu sobre os joelhos. O raciocínio fugia-lhe a mente, e a única coisa em que pôde pensar em fazer era gritar... e gritou, a plenos pulmões.

Nesse momento, todos os “Sombras de Genebra” olharam para dentro. Diante de seus olhos estava uma aberração mais assustadora que qualquer exército já enfrentado naquele Reino. A água lariana estava contaminada, e por conseguinte, o povo estava doente, cambaleante e debilitado. Os ministros, generais e capitães se venderam ao inimigo, dominando a fonte e adulterando a água. Traíram o Rei! 

Oh, quem dera houvesse, naquele dia, lágrimas curadoras para os cidadãos de Lar. Quem dera houvesse fácil solução advinda dos céus. Quem dera à pedra das estátuas dos Quatro Guerreiros Genebrinos tornar-se em carne, e que revivessem afim de tomar a frente dessa batalha! 

O estado dos larianos era pior do que os de fora. O que acontecia dentro do Reino era mais repulsivo que as impiedades cometidas nas corruptas terras vizinhas. 

Imediatamente os "sombras" reagruparam-se e correram para o interior do Reino, declarando em nome do Rei, estado de calamidade. O comandante do batalhão bradou “às armas!”, e ouvia-se, a partir de então, o som das espadas abandonando suas bainhas. Ao levantarem o escudo à altura do rosto, podiam ler, no lado de dentro, uma antiga inscrição de autoria do  Amado Príncipe que dizia “Aos vendilhões, o azorrague!”. 

Além do vento forte que vinha do norte, ouvia-se a voz rouca do oficial sombriano:

 - “Ouçam, nobres guerreiros! Durante anos estivemos a serviço do Grande Rei, para o qual juramos lealdade. E pelo que vimos, o Rei foi traído. Os ministros, generais e capitães preferiram dinheiro sujo à água limpa. A muito tempo, o Rei Eussou entregou a vida do próprio Filho afim de nos poupar, e chegou a hora de demonstrar-lhe a gratidão que temos. Iremos manter nossa honra e nosso juramento, e se preciso for, marcharemos em direção a morte pela causa! Mandem o atalaia soar o alarme! Fechem os portões! Ordenem imediatamente que não se beba mais dessa água até reconquistarmos e restaurarmos a fonte. Cada homem e mulher de Lar deve correr para suas casas! Homens!!! Refaçamos o juramento!”

Cada guerreiro colocou sua espada sobre o próprio pescoço, bradando em uníssono: “Amo meu Rei, e seu Bondoso Filho, e juro ofertar minha vida à Ele e seu Reino. Na noite mais tenebrosa, na batalha mais sangrenta, estarei lá, defendendo a honra de meu Rei. E se eu não cumprir o juramento, que essa espada caia sobre meu pescoço.”

Colocaram seus elmos, cujo metal gélido insistia em discordar de suas bochechas quentes e ruborizadas. Seus corações ardiam de amor e fidelidade ao Rei. A impetuosidade de seus olhares era quase palpável,  podiam com ela incendiar uma chuva torrencial! Avançaram contra os déspotas traidores, em nome do Rei.

- “Homens!!! A partir de hoje, esses falsos larianos sentirão o sabor das “Mil Lâminas do Rei”. Está aberta a temporada de caça aos traidores!”



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sábado, 17 de novembro de 2012

Pacote de Links

















Sobre o último link: vi por esses dias um blogueiro, que também é marketeiro, tendo ataque de pelanca por causa do vídeo do Fabio Porchat, induzindo, inclusive, seus leitores a reclamar no twitter do comediante. Mas eu sei porque ele se indignou, e adivinhem - não foi por causa do personagem que quer mexer na história da bíblia. Na realidade, ele ficou "nervosinho" pelo deboche que o Porchat fez com a profissão mais manipuladora e usuária de PNL e mensagens subliminares de que se tem notícia: marketing. Eu particularmente gostei da crítica. Pastor que procura marketeiro para encher templo tem que ser esculachado mesmo... e de quebra, agente esculacha os marketeiros também. Se acha que estou generalizando, aqui vai um desafio: Me aponte um, apenas um, marketeiro que não use PNL, que não seja manipulador de massas, que seja honesto em dizer que o produto que está tentando vender não é tão bom assim, que não faça uso de mensagens subliminares, enfim... um marketeiro honesto e verdadeiramente cristão. Se me mostrar um, eu retiro o que disse sobre a classe.


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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Ana Paula Valadão diz que Gente Gorda não Combina com Ministério Cristão



por Rodrigo Toledo




GENTE, pára o mundo que eu quero descer.



A super-sacro-santa-ungidona Ana Paula "Valetão" disse em uma de suas pregações(?) que crente gordo não pode exercer ministério de liderança. Veja o video.


À algum tempo prometi a mim mesmo que pararia de esculachar os neo-pentecostais. Mas parece que terei de quebrar a promessa. Não tem jeito, eles pedem pra serem esculachados. Então, lá vai:

- Bóra, zero nove, trás o cabo de vassoura!
- Não, por favor, capitão, eu sou ixtudanti, tamêm sô novu convertidu, e já comprei a bíblia do André Valadão e o CD Diante du Tronu, e...
- Pláft! (tapa na cara) Cala a boca, vagabundo! Plaft!, plaft!, plaft!, plaft! (vários tapas na cara), é você que financia essa merda!!!


Nem sei por onde começar. Fico imaginando o que pensariam Lutero, Spurgeon, Conde Zinzendorf, e até mesmo cristãos piedosos e abençoados de nossos dias que estão acima do peso, como por exemplo, o missionário Jamierson Oliveira. Esse posicionamento dessa senhora é inaceitável. 

Então quer dizer que obesidade não combina com liderança cristã. E usar uma bota de couro de python para, profeticamente(?), exorcizar um demônio boiadeiro, combina? E jogar-se no chão, fingindo que está caindo pelo poder de Deus, combina? E ficar de quatro no palco, ridiculamente imitando um leão no meio do show, combina? E o político da Lagoinha tentar comprar uma rua pública, com cidadãos morando nela, inclusive, afim de aumentar o tamanho do templo de forma completamente irregular, combina? Vender bolsa de couro de python a R$ 1.290,00, combina? Apregoar doutrinas esdrúxulas como batalha espiritual contra demônios territoriais afim de que Deus possa tomar posse daquilo que é Dele(????), combina? O André "Valetão" processar um pastor presbiteriano, numa tentativa de cercear a liberdade de expressão, só porque o pastor expressou sua opinião quanto ao showzinho do André com uma banda católica, combina? Fazer treinamento teológico na Rhema, uma das mais heréticas escolas teológicas triunfalistas, combina? 

Não precisa ser expert em engenharia do comportamento afim de perceber o incômodo que Ana Paula sente com a presença de gordos. Sou gordo a muito tempo e me acostumei a fazer a leitura dos trejeitos de pessoas que se sentem incomodadas com a presença de um gordo. Repare nos tapinhas "revoltadinhos" que ela dá no púlpito ao dizer "gente, vãom fazê um jejum, vãom?", referindo-se às irmãs mais cheinhas

Ponho-me a perguntar qual a motivação da moça em constranger as irmãs gordinhas presentes no culto das pererecas da Lagoinha rsrs. Será que é porque o pastor(?) Lucinho estará em breve lançando seu método gospel de emagrecimento ungido - apenas cheirar a comida, em vez de comer? tss. Será que ela desejaria estar cercada tão somente por líderes saradões, com barriguinha de tanquinho (ui, peguei pesado agora)? Ou será uma tentativa de forçar os girinos da Lagoinha a emagrecer para comprar as camisetas do André Valadão em sua loja oficial na internet? 

Desafio qualquer fã (leia-se puxa-saco) da Ana Paula "Valetão" a responder essas perguntas. Afinal, não sei até que ponto um pregador pode, do púlpito, se meter no espaço vital do crente, metendo o bico onde ninguém pediu sua opinião (quer pão, ganso?), com um assunto tão inócuo para o Reino de Deus. Sabe qual o nome que se dá pra isso? Patrulhamento. Acredito que ninguém até agora tenha chegado para a Ana e dito: "E aê, vâmo fazer uma plástica para consertar esse olhão de sapo nessa cara, vâmo?". 

E pra terminar: 1) o vereador membro da Igreja Batista(?) da Lagoinha que tentou comprar uma rua pública para expandir irregularmente o templo, é magro. 2) o pastor que disse ter recebido do Senhor(?) a revelação de que a Ana deveria comprar a bota de python para exorcismo, é magro. 3) O irmão da cantora gospel, que também é cantor, que declarou "o que nos une é maior do que o que nos separa", falando acerca do show que fez com banda católica, é magro. 

Com tantas bizarrices e heresias, de que está adiantando tanto jejum e oração? Responde aê, Ana...


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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Conspiração da Pólvora



por Rodrigo Toledo


Não Sei o Que Pensar Sobre Hoje, 05 de Novembro

Existe uma história de luta de oprimidos, que poderia nos ensinar algumas lições. Sempre admirei o trabalho intelectual do Rei Tiago, inclusive por causa de sua tradução do texto sagrado, que até hoje, depois de aproximadamente 400 anos, ainda é utilizada pela igreja anglicana. 

Mas, em relação ao seu trabalho como rei, não estou tão certo se o admiro. Ele apregoava separatismos para direitos de puritanos e católicos, inclinando-se a favor dos anglicanos. O resultado foi catastrófico: vários homens foram presos, torturados e executados por tentarem destruir o parlamento inglês com 36 barris de pólvora, numa reunião onde o rei também estaria presente. Dentre os terroristas, Guy Fawkes, um soldado convertido ao catolicismo, completamente revoltado com a injustiça do rei e do parlamento para com os adeptos de sua religião.

E agora? O que pensar de Guy Fawkes? Um terrorista? Um idealista? Bandido? Herói? Seria ele um revolucionário? Ou apenas um jovem manipulado pelas idéias do grupo conspiracionista defensor da classe oprimida católica?

Não sei se dou glórias a Deus pelos puritanos que não se envolveram no atentado, ou se lamento pela administração absolutista do rei James (Tiago).

Sendo assim, não sei se comemoro a Noite das Fogueiras, ou se junto-me a Fawkes na luta pelos oprimidos. Não sou católico, nem anglicano. Gosto dos puritanos. Mas sei que atentados terroristas não resolvem o problema - vide 11 de setembro de 2011. Disso eu tenho certeza: apenas aumenta o ódio, gerando mais ódio.

Que aprendamos com a história - posso não concordar com as idéias de uma minoria, mas não tenho o direito de oprimí-los por expressarem suas opniões, desde que não façam apologia ao crime e ao caos. 

Hoje, não irei cantar a antiga canção: "Me lembro, me lembro, do cinco de novembro, Do atentado e da pólvora, se deve saber, E não vejo razão, para que tal traição, Um dia se venha a esquecer". Prefiro recitar Voltaire: "Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-la".

Aos vendilhões, o azorrague!!!


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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sobre Crentes e Política



por Rodrigo Toledo

Sempre acreditei que crente deve ter características de ovelha (para com Deus e irmãos em Cristo), mas com cérebro e senso crítico de humano. Li essa semana em um blog: "tá cheio de crente com cérebro de ovelha por ai". Infelizmente essa afirmativa procede, e  pude testemunhar disso nessas eleições, onde a massa evangélica sequer preocupou-se em procurar um candidato a altura do cargo a que concorre, mas pelo contrário, vendeu seu voto para o primeiro que apareceu doando dentadura para avó, ou um caminhão de areia para construção de seu muro. Ouvi dizer de um grupo de jovens crentes que vendeu seus votos por algumas camisas de time de futebol. E assim caminha a política nesse nosso brasilzão tupiniquim.

Pois é, cara-pálida. E a coisa só piora no segundo turno. Tem tele-pastor defendendo candidato a prefeitura de uma grande cidade  que, em tempos de outrora, distribuiu um kit gay pior do que esse veiculado como se deu a conhecer. 

E a bizarrice não pára por aqui. Esse mesmo candidato, defendido pelo pretenso pastor, está prometendo liberar os alvarás das igrejas irregulares... Pode imaginar isso? Liberar alvará de funcionamento para igrejas sem segurança, sem acessibilidade, barulhentas e sem acústica, sem as normas dos bombeiros, em locais impróprios... Enfim, umas "ratoeiras" sujeitas a ter o teto caindo e fogo lambendo por problemas elétricos - sem porta de emergência- etc. 

É nesse ponto que paro e penso: o que se passa na cabeça dos eleitores membros dessas igrejas, que irão votar nesse candidato?  Aqui vai a resposta: "Beleza! Pagando o dizimo, que mal tem?! Não falta grana para a bateria e nem pra o datashow... Mas para a acústica... Bom, ferrem-se os vizinhos! Para o ar condicionado tem grana, para o quadro de luz... Enrola ai, meu. Deus protege!!! Se tiver calor, cai a oferta porque o povo vai pra praia! Então agente compra o ar condicionado, e deixa as normas de segurança pra lá! E se for coisa pior, se pegar fogo ou o teto cair, agente bota a culpa no diabo e tá tudo certo!".

E talvez, você esteja se perguntando se apoio o outro candidato. E eu respondo: NÃO, NÃO, NÃO, MIL VEZES NÃO!!! O outro é bem pior, e só não enxerga quem não quer. Demonstrou sua incompetência no Ministério da Educação, a saber: boa parte dos campi das universidades federais ficaram jogadas as baratas; a confusão no ENEM; e o anti-constitucional kit gay. 

Apesar de se apresentar como cientista político e professor, nem corou de vergonha a dar a seguinte resposta quando indagado sobre o escândalo do mensalão: “Em qualquer agremiação pode-se ter desvio de conduta. Isso vale para um partido, para uma igreja e até para uma família. A ética é um atributo individual, ela não se presta a coletivos.”  

Einh? O quê? Será que li direito? Então a ética não se presta a coletivos? Então posso classificar um esquema criminoso em benefício de um partido como desvio de conduta

Bem, eu, em minha ignorância, acreditava até o presente momento, que a ética é aplicável ao relacional e coletivo. Pelo menos foi o que aprendi em meu curso de teologia. Corrijam-me os filósofos e psicólogos de plantão. Ademais, também acreditava, talvez pela mesma ignorância, que classificar faltas graves como algo superficial e sem impacto configura-se sofisma. Corrijam-me os entendidos, se eu estiver errado. 

Esse segundo candidato, como disse Platão, é um purificador de opiniões, malabarista de argumentos mais sedutores que plausíveis.


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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

"Talibã Evangélico": Candidata Crente Promete a Pastores Eliminar Católicos da Cidade, Fechar Templos de Outras Religiões e Financiar Igrejas Evangélicas



A carta a seguir é parte da campanha da então candidata, e agora eleita, vice-prefeita da cidade mineira de Ibirité – a pastora Dolores da Igreja do Evangelho Quadrangular.


A missiva foi distribuída SOMENTE AOS PASTORES da IEQ e demais clérigos que compareceram aos encontros promovidos pela candidata Dolores. Atenção para a orientação ao final da carta (“Esta carta é extremamente secreta, não entregue. Cópia dela (sic) deve ser lida nos cultos do último domingo antes das eleições como combinamos na reunião. EXIJA O VOTO DE SEU REBANHO.”


O endereço do remetente não deixa dúvidas sobre a autoria da carta: Conselho Politico RUA FREITAS DE OLIVEIRA, 192 – Alvorada – Ibirité, MG. Conselho político? É isto que há neste endereço? O Google responde:














Igreja agora virou comitê eleitoral? E por que não? Se muitas viraram covil de ladrões, comitê eleitoral está é bom demais!

O texto é assustador. Promete cercear a liberdade religiosa dos católicos, destruir seus lugares de devoção, impedir a abertura de novas igrejas e ainda ameaça fazer lavagem cerebral nas escolas. Garante que irá usar recursos públicos para tolher a liberdade religiosa alheia e ainda desviar dinheiro público afim de financiar as igrejas evangélicas!

Diante de tudo o que li e vejo, sou obrigado a concordar com quem disse: “Deus me livre de um Brasil evangélico!”. Eu não quero viver num país assim! Se este é o projeto desses ditos “evangélicos”, eu me pergunto qual seria o projeto do anticristo? 

Alguém imaginaria Jesus tentando converter alguém no fio da espada? Impedindo algum sacerdote de fazer o sepultamento de um samaritano? Tendo publicanos desviando impostos para o "reino"? Creio que não!

É preciso deixar claro que este é um caso de polícia. As práticas referidas nesta carta ferem diversos dispositivos constitucionais e a lei eleitoral. Estamos encaminhando o link deste post para o ministério público de Minas Gerais e para o Tribunal Regional eleitoral, esperando que sejam tomadas as devidas providências contra esta quadrilha instalada na cidade mineira de Ibirité, sob a fachada de uma igreja evangélica.

A vice-prefeita foi eleita pelo PSDB, mas é o caso de impugnar a candidatura e barrar a sua posse e a do prefeito eleito, o senhor Pinheirinho, seu aliado no esquema.

Que vergonha! Que saudade da perseguição!






Fonte: Genizah Virtual


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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Israel/Palestina - Essa Terra é Minha



Uma animação bem humorada mostrando os povos que já passaram pela terra santa.







Homem Primitivo
Este "homem da caverna" genérico representa os primeiros colonos humanos em Israel / Canaã. Quem quer que fossem.






Cananeu
Como os cananeus antigos se pareciam? Eu não sei, então isso é baseado na arte antiga Suméria.





Egípcio
Canaã foi localizada entre dois impérios enormes. Egito a controlava às vezes, e ...




Assírio
Assíria .... controlava outras vezes.




Israelita
Os "Filhos de Israel" conquistaram a região, de acordo com o Antigo Testamento.




Babilônico
Em seguida, o babilônicos destruiram o templo e levaram os hebreus para o exílio


Macedônio / Grego
Lá vem Alexandre, o Grande, conquistando tudo!





Grego / macedônio
Alexandre mal acabou de conquistar tudo, seus generais dividiram-se e lutaram entre si.




Ptolemaico
Descendentes gregos de Ptolomeu, outro dos concorrentes generais de Alexandre, governou o Egito vestido como um deus egípcio



Selêucida
Mais greco-macedônio de Alexandre





Sacerdote hebraico
Sem lutar, restabeleceu a religião judaica no Segundo Templo reconstruído por hebreus em Jerusalém após o exílio babilônico.




Maccabeu
Liderados por Judas "O Martelo" Maccabeu, lutaram contra os Selêucidas, e salvaram o Templo. Até que ...





Romano
.... Os romanos destruíram o Segundo Templo e absorveram a região para dentro do Império Romano ...





Bizantino
.... divididos em Império Oriental e Ocidental. A parte oriental foi chamada de Império Bizantino





Califa árabe



Cruzado
Depois que cruzados passaram matando em nome de Jesus Cristo, estabeleceram estados cruzados, mais notadamente o Reino de Jerusalém.




Mameluco egípcio
Controlaram a Palestina por um tempo




Otomano turco
Meio estranho fazer crer que foram para batalhas com esse tanto de jóias... rsrs



Árabe
Generalização grosseira de um árabe do século 19



Britânico
A aliança formada por britânicos e árabes, então ocupantes da Palestina. 




Palestino
Os britânicos ocuparam a terra desse cara, só para deixá-lo para um fluxo grande de ....





Europeu judeu / sionista
Sobreviventes desesperados e traumatizados de campos de extermínio, colonos judeus sionistas estavam prontos para lutar até a morte por um lugar para chamar de lar, mas ...




PLO / Hamas / Hezbollah
.... Assim eram as pessoas que moravam lá. Vários movimentos de resistência militarizadas surgiram em resposta a Israel: a Organização de Libertação da Palestina, Hamas e Hezbollah.




Estado de Israel
Apoiado pelo "Ocidente", especialmente os EUA, eles tem um monte de armas 



Guerrilha / Terrorista
Às vezes as pessoas brigam em uniformes militares, às vezes não. Ao lado de armas atômicas, possivelmente ilícitas do Irã ou em outros lugares na região. 



O Anjo da Morte



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terça-feira, 25 de setembro de 2012

O Papiro da "Esposa de Jesus" é Visto Como Falsificação Por Especialistas




POR JOE KOVACS 


Em casos como este os princípios metodológicos para a pesquisa histórica séria são sempre escamoteados ou evocados conforme a situação.


Não é apenas a certidão de nascimento de Barack Obama que é tida por muitos como uma fraude.

Um fragmento de papiro sugerindo que Jesus Cristo de Nazaré era na verdade casado está recebendo o mesmo tratamento pelos especialistas.

“Eu diria que é uma falsificação”, disse à Associated Press o papirologista da Universidade de Hamburgo, Alin Suciu, durante um congresso de estudos cópticos em Roma.

“O manuscrito não parece autêntico” quando comparado a outras amostras de manuscritos coptas em papiros que datam do século IV.

Outro especialista que questiona a autenticidade do fragmento é Stephen Emmel, professor de estudos cópticos na Universidade de Muenster, que em 2006 analisou a descoberta do Evangelho de Judas.

“Há algo nesse fragmento. Algo em sua aparência e também na gramática copta que me parece ser de alguma forma não muito convincente”, afirmou.

O papiro foi manchete pelo mundo todo na terça-feira e teve cobertura do New York Times. Links para a reportagem foram colocados no WND e no Drudge Report.

Diz-se que o papiro contém a frase “Jesus disse a eles: minha esposa...”.

A descoberta foi alardeada por Karen King, professora de cristianismo primitivo na Harvard Divinity School.

“Esse fragmento sugere que alguns cristãos primitivos tinham uma tradição que acreditava que Jesus era casado”, afirmou King à Times. “Como já sabemos, existiu uma controvérsia no século II sobre Jesus ter sido ou não casado. Esse assunto surgiu involuntariamente na discussão sobre a possibilidade dos cristãos poderem se casar e fazer sexo”.

O fragmento desbotado de papiro mede apenas 3.8 cm por 7 cm – tamanho parecido com um cartão de visitas ou um pequeno celular.

Tem oito linhas de um lado, com tinta preta legível com a ajuda de uma lupa.

Logo abaixo da menção à Jesus ter uma esposa, há outro trecho que diz “Ela estará preparada para ser minha discípula”.

King admitiu na quarta-feira que ainda há perguntas a serem respondidas no que diz respeito ao fragmento. Além disso, ela diz aceitar de bom grado a ajuda de seus colegas profissionais da área. Agora ela pretende submeter o documento a testes na tinta para descobrir se os componentes químicos lá encontrados são os mesmos daqueles usados nos tempos antigos.

“Ainda temos trabalho a fazer, como testar a tinta e assim por diante. Mas o que é mais excitante nesse fragmento, é que ele é o primeiro caso onde temos cristãos afirmando que Jesus teve uma esposa” disse a professora à AP.

A Bíblia em si, nunca insinuou que Jesus era casado. King disse que o fragmento de papiro, mesmo que se comprove autêntico, não dá evidências de que Jesus era casado, apenas diz que centenas de anos após a morte e ressurreição de Jesus, alguns cristãos acreditavam que Ele tinha uma esposa.

O linguista copta Wolf-Peter Funk também coloca em dúvida a autenticidade. Segundo ele, o papiro tem uma forma “suspeita”.

Ele disse à AP que não há como avaliar a relevância do fragmento, pois ele não tem contexto.

“Existem milhares de fragmentos de papiros onde você pode achar disparates”, disse Funk, co-diretor de um projeto de edição da biblioteca copta de Nag Hammadi na Universidade Laval, em Quebec. “Pode ser qualquer coisa”, disse.

Parte do mistério do fragmento é que ninguém parece estar certo da origem, procedência ou onde ele esteve. Além disso, o proprietário desse papiro pediu para não ter seu nome revelado.

A Harvard Divinity School disse que o fragmento aparentemente veio do Egito e sua documentação mais antiga é do começo dos anos de 1980. Isso indica que um professor alemão (agora falecido) acreditava que a peça era evidência de que Jesus poderia ser casado.

Hany Sadak, diretor geral do Museu Copta em Cairo, disse que os especialistas em antiguidades egípcias não faziam ideia da existência do fragmento até que ele apareceu nos noticiários.

“Eu particularmente penso, como pesquisador, que esse fragmento não é autêntico, pois caso fosse, ele teria estado no Egito anteriormente e nós saberíamos dele; também teríamos ouvido falar dele antes dele sair do Egito” disse Sadak à AP.

King disse que o proprietário quer vender sua coleção para Harvard.

“Há todo tipo de suspeitas quando se trata desse assunto”, afirmou David Gill, professor de herança arqueológica na Universidade Campus Suffolk e autor do blog Looting Matters, que segue de perto o comércio ilícito de antiguidades.

“Ao meu ver, qualquer acadêmico sensato e responsável manteria distância disso.”

O surgimento do fragmento está causando muita conversa na blogosfera.

Michael D’Antonio, autor de Mortal Sins, Sex, Crime, and the Era of Catholic Scandal disse: “As implicações da descoberta da professora King são profundas. Se Jesus era casado, o principal argumento espiritual em favor da ordenação clerical apenas de homens e do celibato dos padres católicos será questionado. (Os padres não teriam de abandonar o sexo para imitá-Lo). Mais importante ainda, se Jesus era um homem de família, então a reivindicação feita pelo clero católico, que se denomina como sobrenaturalmente próximo à Deus, perderia muito de sua força.

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Estamos de Volta!!!



Olá, caros internautas. Primeiramente peço perdão aos leitores pelo tempo em que fiquei sem postar nada. Eu explico: estive repensando a estrutura e a abordagem do blog. E é exatamente por isso que ele passará por mudanças ideológicas. 

Aquela pesquisa/enquete sobre a necessidade de uma reforma abriu-me os olhos sobre o "perfil" de leitores do blog, e confesso que me assustei com o que vi. Sem saber, estava postando conteúdo para leitores esclarecidos teologicamente, ou seja, o público-alvo estava escapando-me aos dedos, exatamente por causa da abordagem que eu dava aos posts. 

Minha intenção sempre foi alcançar os menos esclarecidos, os  manipulados pelos mercenários da fé e os adeptos das bizarrices neopentecostais. E o que recebi em troca foi visitas de gente conhecedora da Palavra e do Reino de Deus (dou glórias a Deus pelo povo que ainda estuda teologia e O conhece). 

Portanto, estou de volta. Mais maduro. Mais consciente. E ainda mais convicto da necessidade de uma reforma em nossas igrejas.

Aguardem, em breve volto a postar.

Um grande abraço.

Rodrigo Toledo


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domingo, 1 de julho de 2012

Marina Silva na Rio + 20: Símbolo de Uma Tragédia



Por Edson Camargo




Começo este artigo citando o escritor e acadêmico português Mendo Castro Henriques:


“Revolução não é apenas a conquista violenta do poder. Revolução é toda a aceleração política que arrasta um povo para um processo que não domina nem compreende. E a força das revoluções provém menos da violência, que do caos e da opacidade que as acompanham, e que faz perder o sentido dos valores e das proporções, instaurando a desorientação e dispondo a população a aceitar, em nome da segurança, quaisquer exigências dos novos poderes.” (Em ‘Revolução’, Euronotícias, 27/04/2001. Reproduzido no site de Olavo de Carvalho).


Quando Marta Suplicy criticou a atuação da Igreja Católica, que, apoiada por delegações de diversos outros países, obteve êxito ao excluir termos como “direitos reprodutivos” e “saúde reprodutiva” (leia-se aborto, na novilíngua do globalismo ocidental) do texto final da Rio +20, a última pessoa que imaginei que poderia abrir a boca para se opor à posição sempre abortista, sempre gayzista, sempre feminista e sempre errada da senadora petista foi Marina Silva. Acertei. Nada! Como diz minha amiga jornalista Graça Salgueiro, “de onde menos se espera, é que não sai nada mesmo”.

Ainda assim, o fato diz muito, pois Marina Silva criticou tudo o que pode na Rio +20, com muito apoio, prestígio e visibilidade midiática. Sua trajetória política, quando analisada com mais atenção, revela muito sobre a revolução pela qual passa o Brasil. Ela é evangélica. Da Assembléia de Deus. Denominação conhecida pelo fervor pentecostal, já folclórico, pela afirmação constante da inerrância das Escrituras Sagradas, e pelo zelo em buscar testemunhar, até mesmo na forma como se vestem, a obra que Cristo fez em suas vidas. Ainda assim, quase tudo na atuação política de Marina Silva é contrário às prescrições da cosmovisão cristã, e está sempre alinhado – e daí o prestígio da ex-ministra do Meio Ambiente no governo dos mensaleiros – à mundana ideologia socialista, numa de suas vertentes mais traiçoeiras: a do ecofascismo globalista. E só o total sucesso de uma revolução cultural prescrita pelos teóricos revolucionários da Escola de Frankfurt, por Antônio Gramsci e pelo homicida Louis Althusser, programada e empreendida por mais de quatro décadas no Brasil, pode explicar o carinho e os quase 20 milhões de votos que esta senhora obteve no primeiro turno das últimas eleições presidenciais. 

No grande festerê do liberalismo teológico e do ecumenismo religioso pró-governo mundial, a “Cúpula dos Povos”, ali, próximo à “Casa de Gaia”, Marina Silva foi ovacionada. Entre os manipulados do movimento das “Igrejas Eco-cidadãs”, lá esteve ela, bem como Walter Altman, um dos líderes do Conselho Mundial de Igrejas, instituição comunista e teologicamente liberal desde os primórdios, e com um histórico de apoio ao terrorismo. Sobre isso, vale a leitura do opúsculo The World Council of Churches: A Fraudulent Gospel, de Bernard Smith. 

Marina Silva também reclamou do documento final da Rio +20, considerando-o uma “pá de cal” nos esforços dos ecofascistas, no que foi apoiada por todos os líderes da imensa rede de ONG’s e movimentos financiados pela cúpula globalista anticristã. (Para se perceber melhor como é que circula esta grana toda, vale a pena checar os sites www.discoverthenetworks.org e www.activistcash.com.) Mas sobre o ímpeto abortista da ONU, nada disse. Nem sobre a sistemática promoção, por parte das Nações Unidas, em de uma nova religiosidade artificial, por meio de sua agência United Religions Initiative, a URI, cuja história, doutrina e atividades estão bem documentadas na obra de Lee Penn, False Dawn.

Eu nem esperaria nada diferente de quem, em plena campanha, na busca do voto cristão, fincou o pé nas teses ambientalistas e, quando perguntada sobre “casamento” gay e aborto, deslizou: “Deixa para um plebiscito”. Pelo que se vê, o versículo “não seguirás a multidão para fazeres o mal” (Ex. 23: 2) não significa muito para Marina Silva, que teve entre seus mentores Leonardo Boff, arquiduque da “teologia” da “libertação” marxista (em seus tempos de católica), e Caio Fábio, um dos barões da “teologia” da “Missão Integral”, a versão “de crente” da “teologia” da “libertação”. O curioso é que Boff, atualmente, dá declarações mais caras ao panteísmo do que a qualquer outra religião. E Caio Fábio também já deslizou no panteísmo, em pleno Congresso Nacional, em 2004


“Para mim, esse universo é sagrado. Eu poderia simplesmente dizer que ele é descriado, que ele existe por si só, que ele é o que é, que a única coisa que existe é ele, que ele é Deus por existir em si mesmo, por ser a causa de si próprio. É um Deus inconsciente de si mesmo.” 

A atuação política, o prestígio entre as elites globais, as afinidades para lá de suspeitas e a omissão constante em defender sua fé tornam Marina Silva um símbolo do que tem se tornado a igreja brasileira em tempos de revolução cultural comunista concluída, com a conseqüente modelagem das instituições e nos meios de obtenção de prestígio e ascensão social.

Deixa-se o Evangelho em casa, na gaveta, e vai-se às ruas gritar “por um mundo melhor”. Perdeu-se o interesse pelo reino que não é deste mundo, pela Nova Jerusalém que descerá dos céus, e pelo alinhamento de todas as áreas da vida aos princípios que Deus estabeleceu para sua igreja, para que ela pudesse influenciar a sociedade e a cultura de forma justa, amorosa, mas apresentando a verdade, o sagrado contraponto ao que os “réprobos quanto à fé” querem impor à força e por meio do engodo a toda população mundial. Perdeu-se de vista o que tanto se falava antigamente, ainda que com outras palavras, mas que ficou bem sintetizado numa frase de Russel Kirk: “Problemas políticos, no fundo, são problemas religiosos e morais”. 


Repleta de admiradores de Boff, “Frei” Betto, Caio Fábio, Robinson Cavalcanti, e até mesmo de notórios meliantes como Lula e José Dirceu, não é de se admirar que a igreja brasileira cresce em tamanho, mas não em influência, incha, mas nada retém, pois parece mais fascinada pela ampla rede de desinformação revolucionária e modelagem comportamental das grandes redes de comunicação de massa, do que pelas profundas, abrangentes e eternas verdades do Evangelho.


Vi isso no Bereianos




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