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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O Que Aconteceu Com os Apologistas?




por Rodrigo Toledo

Muita gente que conhece a mim e ao meu trabalho como apologista me questiona sobre o porquê de os apologetas modernos não mais concentrarem seus textos e suas palestras nas seitas. Em vez disso, voltaram sua atenção e seus ataques a denominações tidas pela maioria como evangélicas. Seria uma inversão de valores? Será que perdemos o foco? Teríamos nos tornado anti-denominacionais? 

Bem, para responder a essa questão escrevi o texto abaixo que ilustra de maneira parabólica o que realmente aconteceu com os apologetas, digo, com os "Sombras de Genebra". Aprecie sem moderação:




Num Reino não muito distante, chamado Lar, famoso por ter apenas uma única fonte d’agua potável, reinava o Grande Rei Eussou, também conhecido como Rei dos reis. Ostentava a melhor das reputações, por sua misericórdia e justiça impecáveis, e seu caráter impoluto.

Tornou-se mundialmente admirado quando do episódio envolvendo o agiota que veio cobrar uma dívida impagável contraída por todos os habitantes daquele Reino e que, segundo as 613 cláusulas do contrato assinado, os devedores deveriam sanar aquela dívida com a própria vida. E o Grande Rei, juntamente com seu Bondoso Filho, o Príncipe Messias, ricos em misericórdia para com seus servos, decidiram entre si como sanariam a dívida, entregando ao agiota o sangue real do Manso Príncipe, liquidando a dívida e devolvendo àquele povo a vida e a esperança.

Fato é que o Rei designou capitães a fim de que distribuíssem a água de forma digna e igualitária, além de generais e ministros que garantiriam a gestão e pureza da mesma. 

Dentre outras tantas tarefas, designou uma tropa de elite especializada em combate fronteiriço – o batalhão “Sombras de Genebra” -, nome dado em honra a quatro antigos combatentes, cujas estatuas erigem-se na Praça Central, em cujas sombras descansa o Sagrado Saltério do Rei, o qual teve a sua capa forjada com o metal do escudo dourado do Benevolente Príncipe Messias.  

Altamente treinados, os "sombras" deveriam posicionar-se em seus postos, de costas para as terras do Reino, voltando seu foco para as corruptas nações vizinhas, evitando assim a invasão de espiões estrangeiros enganadores, bem como a evasão de larianos desavisados. Sob o sol causticante do estio; ou sob a luz inebriante da lua; até mesmo sob maciça tempestade de neve do castigante inverno lariano; estavam prontos para combater e proteger. Devido à bravura desses soldados, e ao perigo a que eram expostos, foram apelidados de “As Mil Lâminas do Rei”.  

Sempre que um incauto cidadão lariano era seduzido pelos perfumes e cores das terras vizinhas, um sombriano lhe barrava, mostrando-lhe as armadilhas com estacas punji, fazendo-o compreender as diferenças entre os terrenos e climas, convencendo-o a voltar para Lar.

Passaram-se muitas décadas, e em todo esse tempo os “sombras”, tendo a  fronteira como assoalho, olharam atentamente para fora, prontos a empunhar suas espadas pela proteção do povo lariano, comprado com o sangue do Bondoso Príncipe Messias.

Mas, certo dia, algo incomodava o coração de um “sombra”, e este resolveu olhar para trás, para dentro. E o que ele viu foi a constatação da pior de todas as notícias a que se pode dar a um homem. Seus olhos viram a profanação e a desobediência. Um tenebroso calafrio subiu-lhe a espinha, podia sentir o pulsar do coração nas extremidades de seu corpo. Assustado e hesitante, caiu sobre os joelhos. O raciocínio fugia-lhe a mente, e a única coisa em que pôde pensar em fazer era gritar... e gritou, a plenos pulmões.

Nesse momento, todos os “Sombras de Genebra” olharam para dentro. Diante de seus olhos estava uma aberração mais assustadora que qualquer exército já enfrentado naquele Reino. A água lariana estava contaminada, e por conseguinte, o povo estava doente, cambaleante e debilitado. Os ministros, generais e capitães se venderam ao inimigo, dominando a fonte e adulterando a água. Traíram o Rei! 

Oh, quem dera houvesse, naquele dia, lágrimas curadoras para os cidadãos de Lar. Quem dera houvesse fácil solução advinda dos céus. Quem dera à pedra das estátuas dos Quatro Guerreiros Genebrinos tornar-se em carne, e que revivessem afim de tomar a frente dessa batalha! 

O estado dos larianos era pior do que os de fora. O que acontecia dentro do Reino era mais repulsivo que as impiedades cometidas nas corruptas terras vizinhas. 

Imediatamente os "sombras" reagruparam-se e correram para o interior do Reino, declarando em nome do Rei, estado de calamidade. O comandante do batalhão bradou “às armas!”, e ouvia-se, a partir de então, o som das espadas abandonando suas bainhas. Ao levantarem o escudo à altura do rosto, podiam ler, no lado de dentro, uma antiga inscrição de autoria do  Amado Príncipe que dizia “Aos vendilhões, o azorrague!”. 

Além do vento forte que vinha do norte, ouvia-se a voz rouca do oficial sombriano:

 - “Ouçam, nobres guerreiros! Durante anos estivemos a serviço do Grande Rei, para o qual juramos lealdade. E pelo que vimos, o Rei foi traído. Os ministros, generais e capitães preferiram dinheiro sujo à água limpa. A muito tempo, o Rei Eussou entregou a vida do próprio Filho afim de nos poupar, e chegou a hora de demonstrar-lhe a gratidão que temos. Iremos manter nossa honra e nosso juramento, e se preciso for, marcharemos em direção a morte pela causa! Mandem o atalaia soar o alarme! Fechem os portões! Ordenem imediatamente que não se beba mais dessa água até reconquistarmos e restaurarmos a fonte. Cada homem e mulher de Lar deve correr para suas casas! Homens!!! Refaçamos o juramento!”

Cada guerreiro colocou sua espada sobre o próprio pescoço, bradando em uníssono: “Amo meu Rei, e seu Bondoso Filho, e juro ofertar minha vida à Ele e seu Reino. Na noite mais tenebrosa, na batalha mais sangrenta, estarei lá, defendendo a honra de meu Rei. E se eu não cumprir o juramento, que essa espada caia sobre meu pescoço.”

Colocaram seus elmos, cujo metal gélido insistia em discordar de suas bochechas quentes e ruborizadas. Seus corações ardiam de amor e fidelidade ao Rei. A impetuosidade de seus olhares era quase palpável,  podiam com ela incendiar uma chuva torrencial! Avançaram contra os déspotas traidores, em nome do Rei.

- “Homens!!! A partir de hoje, esses falsos larianos sentirão o sabor das “Mil Lâminas do Rei”. Está aberta a temporada de caça aos traidores!”



***

4 comentários:

  1. MUITO, MUITO BOM. CONTINUE A ESCREVER ESSA HISTÓRIA. DÁ ATÉ UM LIVRO.

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  2. Meu nome é António Batalha, estive a ver e ler algumas coisas de seu blog, achei-o muito bom,dou-lhe os parabéns, espero vir aqui mais vezes. Meu desejo é que continue a fazer sempre o seu melhor, dando-nos boas mensagens.
    Tenho um blog Peregrino e servo, se desejar visitar ia deixar-me muito honrado.
    Ps. Se desejar seguir meu blog será uma honra ter voce entre meus amigos virtuais,mas gostaria que não se sinta constrangido a seguir, mas faça-o apenas se desejar, decerto irei retribuir com muito prazer. Siga de forma que possa encontrar o seu blog.
    Deixo a minha benção e muita paz e saúde.

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  3. Olá, irmão Antonio. Sinto-me honrado com suas palavras. Fico sempre muito feliz quando descubro que, de alguma forma, meu trabalho na blogosfera tem edificado vidas. Vou dar uma olhada em seu blog.

    Grande abraço

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